

Brasília – Após a prisão do presidente Jair Bolsonaro, nesta terça-feira (5), parlamentares da oposição se reuniram em coletiva de imprensa no Congresso Nacional para apresentar o que chamaram de “pacote de medidas de paz”, com três propostas principais: o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, a aprovação da anistia para presos políticos, e o fim do foro privilegiado para parlamentares. O movimento reúne representantes de diversos partidos da oposição e sinaliza uma escalada no embate político com o governo federal e o Supremo Tribunal Federal.
A coletiva foi aberta pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e contou com a participação de lideranças como o senador Rogério Marinho (PL-RN), a deputada Carol de Toni (PL-SC), o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), o líder da oposição, deputado Zucco (PL-RS), e o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), que encerrou os discursos com tom contundente.
“Não existe soberania nacional para um violador de direitos humanos. Isso é regra da política internacional desde a Segunda Guerra Mundial. Lamentavelmente, nós temos no Brasil o ministro Alexandre de Moraes, que é um violador dos direitos humanos. É lamentável que esta pessoa ainda esteja ocupando um cargo importante na mais alta corte do país”, declarou Sóstenes.
O líder do PL também destacou o apoio de outros partidos à mobilização. “Quero agradecer aos deputados do Republicanos, do Progressistas, do PSD, do Novo, do Podemos. A todos que estão aqui, parlamentares que colocaram o país acima de seus interesses partidários”.
Sóstenes criticou duramente o governo federal: “Chegou a hora da verdade. Quem é brasileiro, quem ama o verde e amarelo, vai lutar pelo Brasil de todos, não de alguns. Porque o governo que aí está só governa para uma parte do Brasil. Isso não é um governo responsável com a pátria”.
Ele também parabenizou os manifestantes que tomaram as ruas no último domingo. “Fizemos as maiores manifestações já vistas desde as eleições de 2022. A todos os brasileiros que foram às ruas: parabéns!”
Sobre a atuação do Congresso Nacional, o deputado alertou para um cenário de paralisia. “Lamentavelmente, o Congresso está manietado. O presidente Hugo Motta, segundo informações, não está em Brasília. Não vamos permitir que a Câmara reabra seus trabalhos enquanto não houver um diálogo sério para pensarmos em soluções para o Brasil”.
A partir desta terça, a oposição entrará em obstrução total. “Nós vamos, com a liderança do deputado Zucco, entrar em obstrução total na Câmara e também no Senado. Não vamos recuar enquanto não houver caminhos reais para a pacificação, já apresentados aqui”, declarou.
O líder do PL também se dirigiu à imprensa: “Quero agradecer aos veículos que ainda nos dão voz. Porque muitos já estão emudecidos, não nos convidam mais. Não tem problema. Falaremos nas nossas redes e para os canais que ainda têm liberdade”.
Encerrando sua fala, Sóstenes fez um alerta: “Estamos no momento mais crítico desde a redemocratização do nosso país. Há uma coordenação centralizada. O presidente Valdemar e outros partidos já estiveram em alinhamento nesta manhã. E a partir de agora, estamos nos adestrando e nos preparando para a guerra. Se é guerra que o governo quer, guerra o governo terá. Não haverá paz no Brasil enquanto não houver discurso de conciliação que passe pela anistia, pelo fim do foro e pelo impeachment do ministro Alexandre de Moraes”.
Após a coletiva de imprensa, os deputados da oposição seguiram para o plenário da Câmara dos Deputados e, sob a liderança de Sóstenes Cavalcante, anunciaram: “Nós estamos começando agora uma ação na Câmara e no Senado, ocupando as mesas diretoras, e não sairemos de ambas as mesas até que os presidentes das duas Casas se reúnam para resolver o problema de soberania nacional. O Congresso Nacional foi emudecido, está tendo todas as suas prerrogativas retiradas pelo ministro Alexandre de Moraes que, no alto de sua toga de ministro do STF, decidiu não respeitar mais a Constituição brasileira e, ao longo dos últimos meses, vem produzindo perseguição política com a toga de magistrado. Ele é um violador de direitos humanos”.
Ainda segundo Sóstenes, “desde a Segunda Guerra Mundial, os países democráticos do mundo não toleram violadores de direitos humanos, e o Congresso Brasileiro, na figura do líder da oposição que está aqui na cadeira de presidente da Câmara dos Deputados, anuncia que a oposição, na Câmara e no Senado, a partir de agora, ocupa ambas as mesas e não sairá daqui até que os presidentes de ambas as Casas busquem uma solução para pacificar o Brasil.”
Os parlamentares se revezarão ao longo do dia, mantendo a ocupação das mesas com esparadrapos na boca, como forma simbólica de protesto à censura que o ministro Alexandre de Moraes vem impondo ao presidente Bolsonaro e ao campo conservador do país.