

Brasília, 21 de julho de 2025 – Em coletiva de imprensa realizada na Câmara dos Deputados neste domingo (21), o líder do PL, deputado Sóstenes Cavalcante, deu início aos trabalhos denunciando o que classificou como “censura preventiva” ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que esteve presente no prédio, mas, segundo o parlamentar, foi orientado por seus advogados a não conceder entrevistas, em razão de nova medida imposta pelo ministro Alexandre de Moraes.
“Este é o Brasil e a democracia relativa que nós estamos vivendo”, disse Sóstenes.
Ao lado da senadora Damares Alves e do senador Magno Malta, o deputado informou que mais de 54 deputados e dois senadores interromperam o recesso parlamentar para participar da reunião extraordinária da oposição, motivados, segundo ele, pela “gravidade do momento político”. O líder criticou o governo Lula por, segundo ele, antecipar a disputa eleitoral, abandonar o diálogo com os EUA e se alinhar com “regimes autoritários latino-americanos”.
A oposição anunciou a criação de três comissões de trabalho que atuarão durante o recesso:
Entre os principais pontos deliberados, a oposição estabeleceu como prioridade a votação da anistia dos presos do 8 de janeiro e a PEC do Fim do Foro Privilegiado (PEC 333). Sóstenes voltou a criticar os inquéritos conduzidos pelo STF e classificou o ministro Alexandre de Moraes como responsável direto por “perseguições políticas”.
“Temos mais de 60 parlamentares respondendo processos no Supremo. Isso não é democrático, isso não é constitucional”, afirmou.
O senador Magno Malta foi ainda mais enfático e disse que a oposição no Senado trabalhará para pautar o impeachment do ministro Alexandre de Moraes. Segundo ele, decisões recentes do magistrado violam os direitos humanos e têm repercutido internacionalmente. Ele também criticou duramente a ministra Cármen Lúcia e o que chamou de “conluio entre o STF e o Executivo”.
“Chegamos ao limite. É viver ou viver. Se colocarem a mão em Bolsonaro, que tentem a sorte”, declarou Malta, em tom de alerta.
O deputado Nikolas Ferreira também falou aos jornalistas e fez duras críticas ao sistema judiciário, à imprensa e ao governo federal. Ele comparou a censura imposta a Bolsonaro à liberdade de fala concedida a criminosos condenados e alertou para os riscos à democracia.
“Não estamos aqui apenas pela direita ou por Bolsonaro. Estamos lutando pela liberdade de todos, até dos jornalistas de esquerda”, afirmou Nikolas.
A líder da minoria, deputada Bia Kicis, reforçou a acusação de que o Brasil vive hoje sob uma “tirania institucional” e responsabilizou o presidente Lula pela crise econômica e social.
“O que estão fazendo com o presidente Bolsonaro é covardia. A censura e a perseguição chegaram a níveis jamais vistos no Brasil”, afirmou.
Ao final da coletiva, Sóstenes garantiu que o ex-presidente Bolsonaro “cumprirá seu mandato político com voz ativa”, ainda que à distância. O deputado também reafirmou que Eduardo Bolsonaro concluirá seu mandato, mesmo residindo atualmente nos Estados Unidos. Soluções políticas e legislativas estão sendo estudadas para garantir essa permanência.
“Se a censura continuar, seremos nós a voz de Bolsonaro. E o Brasil também falará por ele”, finalizou Sóstenes.
A oposição prometeu elevar o tom das mobilizações nos próximos dias e disse que todas as ações serão coordenadas pelas comissões recém-formadas.