
Brasília (DF), 23 de junho de 2026 – O deputado federal e líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, protocolou nesta terça-feira (23) um ofício junto à Embaixada dos Estados Unidos no Brasil solicitando informações sobre possíveis vínculos entre organizações criminosas e o financiamento de partidos políticos de esquerda na América Latina. A iniciativa foi anunciada após o parlamentar cumprir integralmente a decisão judicial que recebeu do ministro André Mendonça que determina a retirada de vídeo de suas redes sociais no qual ele mencionava a existência de suspeitas de relação entre o Partido dos Trabalhadores (PT) e a facção criminosa PCC.
Durante a coletiva, o parlamentar destacou que respeitou a decisão do Supremo Tribunal Federal, mas afirmou que continuará buscando esclarecimentos por meios institucionais e dentro das prerrogativas do mandato parlamentar.
Segundo Sóstenes, a primeira medida adotada foi o protocolo de um ofício à Embaixada dos Estados Unidos solicitando informações oficiais sobre a eventual existência de investigações, relatórios ou suspeitas envolvendo o financiamento de partidos de esquerda latino-americanos por organizações criminosas. O documento foi encaminhado ao encarregado de Negócios da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, Gabriel Escobar.
Além do ofício, o deputado anunciou outras duas iniciativas. A segunda consiste na apresentação de um requerimento de informação no âmbito da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados para que o tema seja formalmente esclarecido. A terceira será a solicitação de uma audiência pública com representantes da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, com o objetivo de promover um debate transparente sobre o assunto perante a sociedade brasileira.
Ao explicar as razões das medidas, Sóstenes afirmou que nunca apresentou uma acusação definitiva, mas apenas mencionou a existência de suspeitas que, segundo ele, devem ser esclarecidas pelas autoridades competentes.
“Jamais postaria alguma coisa que não condiz com a verdade. Como não fiz uma afirmação, eu disse que há uma suspeita. Ninguém melhor que o governo americano para dizer, pública e notoriamente, a toda a imprensa e aos brasileiros, se há ou não esse tipo de suspeita”, declarou.
O parlamentar também comentou a repercussão da decisão do ministro André Mendonça e questionou o tratamento dado por parte da imprensa ao caso.
“O que eu estranhei foi que a decisão do eminente ministro André Mendonça não foi somente para a retirada de um vídeo das minhas páginas. A decisão dele a respeito da retirada do meu vídeo está em todos os veículos de comunicação. No mesmo dia em que ele mandou retirar meu vídeo, ele mandou também retirar vídeos de três parlamentares de esquerda: Lindbergh Farias, Rogério Correia e André Janones. Eu só vi essa notícia na Veja, não vi em outros veículos de comunicação”, afirmou.
Para Sóstenes, a cobertura jornalística deve observar critérios de equilíbrio independentemente do posicionamento político dos envolvidos.
“Porque quando é com um parlamentar da direita, todos vêm em série noticiar. Mas quando há três parlamentares de esquerda na mesma decisão, no mesmo dia, poucos são os veículos que divulgam. Essas questões eu acho que a imprensa brasileira precisa refletir. Quando se tem que dar peso às informações, tem que dar também equilíbrio e respeito. Se houve decisão contra um parlamentar da direita, vocês têm mais que divulgar. E por que não divulgar também quando é contra parlamentares da esquerda?”, questionou.
No ofício protocolado junto à Embaixada dos Estados Unidos, o líder do PL solicita o compartilhamento de relatórios públicos, avaliações setoriais desclassificadas e demais informações eventualmente disponíveis por parte de órgãos norte-americanos de inteligência e segurança relacionadas à atuação de organizações criminosas transnacionais e sua possível influência em processos políticos na América Latina.
Segundo o deputado, caso existam informações oficiais sobre o tema, elas poderão contribuir para o aperfeiçoamento de iniciativas legislativas voltadas ao combate à lavagem de dinheiro, ao fortalecimento da fiscalização eleitoral e à proteção das instituições democráticas contra a influência do crime organizado.
Ao encerrar a coletiva, Sóstenes afirmou que aguardará a manifestação das autoridades norte-americanas e defendeu que o tema seja tratado com transparência e responsabilidade.